Moradores do Xangrilá se mobilizam contra construção de 500 casas populares e cobram diálogo e infraestrutura

Moradores do Xangrilá se mobilizam contra construção de 500 casas populares e cobram diálogo e infraestrutura

Ubá (MG) – A noite desta segunda-feira (5) foi marcada por forte mobilização popular no bairro Xangrilá. Aproximadamente 150 moradores participaram de uma reunião organizada pela associação do bairro para manifestar contrariedade à construção de cerca de 500 unidades habitacionais populares, projeto que, segundo a comunidade, poderá elevar em até 2 mil pessoas a população local, hoje estimada em cerca de 2.500 moradores, sem que haja infraestrutura adequada para absorver esse crescimento.

A principal preocupação dos moradores está relacionada à falta de rede de esgoto adequada, problemas recorrentes de abastecimento de água, ausência de escola, creche, posto de saúde, áreas de lazer e segurança pública, além de riscos ambientais e de mobilidade urbana.

Autoridades presentes

Atendendo ao convite da associação de moradores, estiveram presentes os vereadores André Alves, Breno Reis, Gilson Pica-Pau e o vice-prefeito de Ubá, Cabo Rominho.

A cobertura da reunião contou exclusivamente com a presença da imprensa local, representada pelo jornalista Cláudio Oliveira, da Web TV Cidade Carinho, e por Gerson Pinheiro, do portal de notícias Zona da Mata News.

“Fomos pegos de surpresa”, diz vereador André Alves

Ao fazer uso da palavra, o vereador André Alves explicou aos moradores a função do Poder Legislativo e afirmou que tanto a Câmara quanto a comunidade foram surpreendidas com o anúncio do empreendimento.

“Como se faz um empreendimento desse porte, trazendo de duas a três mil pessoas para um bairro já consolidado, sem consultar os moradores e sem ouvir a Casa Legislativa?”, questionou.

O vereador destacou ainda que existe jurisprudência em outros estados, como um caso no Rio Grande do Sul, onde o Ministério Público embargou obra semelhante após mobilização popular.

“Essa luta não é em vão. Se a população não quer esse empreendimento aqui, nós vamos lutar para que ele não aconteça”, afirmou.

Licenças em fase final acendem alerta, afirma Breno Reis

O vereador Professor Breno Reis trouxe informações técnicas que aumentaram a preocupação dos moradores. Segundo ele, o projeto já estaria em fase final de licenciamento, dependendo apenas de autorizações ambientais e urbanísticas.

“As duas licenças que faltam são justamente as que passam pelo CONDES (Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável) e pelo CODEMA (Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental), e essas reuniões são públicas. É fundamental que a comunidade esteja presente para se manifestar”, alertou.

Breno também ressaltou os impactos que não estariam sendo devidamente considerados, como capacidade das redes de esgoto, drenagem pluvial, abastecimento de água e segurança pública.

“Hoje a cidade inteira já sofre com redes antigas. Imaginem dobrar a população de um bairro sem qualquer ampliação estrutural”, completou.

Impacto de vizinhança e plano diretor são questionados

O vereador Gilson Pica-Pau foi enfático ao defender que a Prefeitura apresente o projeto completo da obra e respeite o plano diretor e o impacto de vizinhança.

“Não tem escola, não tem infraestrutura, o bairro não aguenta. Estão visando lucro, não a qualidade de vida da população”, afirmou.

Ele também incentivou os moradores a ampliarem a mobilização e a cobrarem posicionamento de todas as mídias e órgãos competentes.

Vice-prefeito defende diálogo e audiência pública

O vice-prefeito Cabo Rominho fez questão de participar da reunião e reconheceu a legitimidade das preocupações da comunidade.

“Quem decide isso é o prefeito e o secretário de planejamento. A canetada é do prefeito”, disse, defendendo a realização de uma audiência pública com a presença do Executivo.

Rominho afirmou ainda acreditar que, havendo consenso da comunidade contrária à obra, o prefeito poderá rever o projeto.

Comunidade não é contra moradia, mas cobra respeito

A vice-presidente do bairro, Cida Castro, ressaltou que os moradores não são contra habitação popular, mas defendem que qualquer projeto seja feito com planejamento e diálogo.

“Não temos escola, creche, posto de saúde, nem área de lazer. As crianças não têm praça, não têm campo. A gente achava que aquela área verde viraria um parque”, lamentou.

O morador Fernando Luiz Pereira reforçou o sentimento coletivo:

“O bairro já tem problema de esgoto, falta de água e alagamentos. Empurrar 500 apartamentos goela abaixo da população não é correto.”

Mobilização continua

Ao final da reunião, ficou definido que os moradores seguirão mobilizados para participar das reuniões dos conselhos municipais e cobrar transparência, estudos de impacto e diálogo com o Poder Público. A comunidade também avalia a solicitação formal de uma audiência pública para discutir o futuro do bairro Xangrilá.

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