Cidade Cultural: Cassius Lopes destaca força do lúdico e da literatura infantil

Cidade Cultural: Cassius Lopes destaca força do lúdico e da literatura infantil

O professor, escritor e agente cultural Cassius Lopes foi o entrevistado do quadro Cidade Cultural, do Zona da Mata News, em uma conversa marcada por reflexões profundas sobre educação, leitura, cultura e o papel transformador da literatura infantil na formação humana.

Com uma trajetória ligada à educação, à cultura e à defesa dos direitos da criança e do adolescente em Ubá, Cassius acumula experiências como membro do Conselho Tutelar, do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente, assessor do Centro de Estudos Bíblicos (CEBI-MG) e ex-gerente da Divisão de Cultura do Poder Público Municipal. Professor de História por formação, ele atua atualmente tanto nos anos iniciais quanto finais do ensino público, além de se dedicar à escrita e à contação de histórias.

Durante a entrevista, Cassius explicou que sua formação acadêmica e sua vivência social influenciam diretamente suas obras literárias. Embora escreva livros infantis, ele deixa claro que os temas abordados vão além do entretenimento. “Uso a forma lúdica para tratar assuntos sérios, como inclusão e autoestima, que fazem parte da minha trajetória de vida e de atuação na cidade”, afirmou.

O escritor também relembrou sua passagem pela Secretaria Municipal de Cultura, destacando que o convite para ocupar o cargo foi consequência natural de sua militância cultural anterior, especialmente nos grupos de teatro locais. Segundo ele, o teatro foi decisivo para sua atuação como contador de histórias, permitindo que recursos como entonação, postura corporal e criação de personagens fossem incorporados às apresentações individuais.

Ao falar sobre a arte de contar histórias, Cassius ressaltou que há uma diferença significativa entre ler e contar. Para ele, contar histórias envolve emoção, interação com o público e múltiplas possibilidades narrativas, utilizando recursos como fantoches, objetos cênicos e até a participação da plateia. “A história se abre para quem assiste e cria um envolvimento verdadeiro”, destacou.

Na literatura, o desafio é outro. Cassius explicou que escrever para crianças exige cuidado para transmitir mensagens importantes sem recorrer a discursos teóricos. Seus livros utilizam fantasia e personagens cativantes para abordar questões como inclusão e autoestima. É o caso das obras João Pede Feijão e Rhayra Enfrenta Nicolau, o Pirata da Pena de Pau, inspiradas em vivências reais com alunos e crianças de seu convívio. “No meio da fantasia, a gente dá o recado sério: cada pessoa deve ser feliz do jeito que é”, afirmou.

O escritor também chamou atenção para o papel da literatura infantil na formação emocional e crítica das crianças em uma sociedade cada vez mais dominada pelas telas. Para ele, o livro físico e a contação de histórias ajudam a resgatar o hábito da leitura, da imaginação e da interpretação, combatendo o consumo passivo de conteúdos rápidos e superficiais.

Cassius demonstrou preocupação com a diminuição do hábito da leitura entre crianças e adolescentes, mas acredita que o incentivo ao lúdico na escola e a mediação de educadores comprometidos podem mudar esse cenário. Ele defendeu ainda a valorização da cultura como investimento, e não como gasto, destacando a importância do apoio do poder público e da sociedade a projetos culturais, teatros, livros e iniciativas locais.

Ao falar sobre o futuro, revelou que já está produzindo um terceiro livro infantil, A Bruxa e a Camponesa, que abordará sentimentos como raiva, inveja e fofoca, além de planejar uma coletânea de contos voltada ao público adulto.

Encerrando a entrevista, Cassius Lopes reforçou seu compromisso como agente cultural em Ubá e fez um apelo à valorização dos artistas locais. “Cultura só pode ser criticada se for conhecida e consumida. Valorize a cultura da sua cidade, conheça os seus artistas. Aqui em Ubá tem muita gente boa que merece reconhecimento”, concluiu.

A entrevista no Cidade Cultural reafirma a importância de iniciativas que dão voz aos fazedores de cultura e fortalecem a identidade cultural da região, mostrando que literatura, educação e arte caminham juntas na construção de uma sociedade mais sensível, crítica e humana.

Por Gerson Pinheiro Costa Filho – Zona da Mata News

Veja a entrevista na íntegra clicando no link abaixo: