ACIUBÁ aponta prejuízo de até R$ 500 milhões e alerta para risco de colapso no emprego em Ubá
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Em entrevista ao programa Conexão Líder, da Líder FM, nesta terça-feira (3), o presidente da ACIUBÁ, Elias Ricardo Coelho, juntamente com o diretor da ACIUBÁ e representante da Federaminas, Silber Silveira, detalharam o impacto devastador da enchente que atingiu Ubá e defenderam foco urgente na retomada do comércio e na preservação dos empregos.
O apresentador Anderson Badaró conduziu o bate-papo, destacando que, além da dor pelas vidas perdidas e pelas famílias desalojadas, é preciso agir rapidamente para evitar um colapso econômico. “Sem emprego, nada acontece”, resumiu.

Elias revelou números preocupantes a partir de um formulário criado pela ACIUBÁ logo após a tragédia. Segundo ele, foram registradas 796 respostas válidas de empresas e trabalhadores autônomos — como cabeleireiros, tatuadores e pequenos comerciantes.
Dessas:
749 relataram perdas significativas
123 declararam perda total
O prejuízo declarado imediato, somado ao impacto estimado para os próximos 12 meses, pode chegar a R$ 508 milhões.
“É assustador. Estamos falando de quase meio bilhão de reais em prejuízo estimado”, afirmou Elias.
O levantamento aponta ainda um impacto direto em 3.800 empregos formais. Com base em índices econômicos do IPEA, que consideram os efeitos indiretos na cadeia produtiva, o número pode alcançar entre 7.600 e 11 mil postos de trabalho comprometidos, caso não haja intervenção imediata.
“Empresa é vida. As famílias sobrevivem do trabalho. Se não houver foco na retomada, tudo pode colapsar”, alertou o presidente da ACIUBÁ.
Durante a entrevista, Silber Silveira chamou atenção para um novo desafio: o excesso de doações materiais, muitas vezes em duplicidade.
Segundo ele, já há casos de locais que receberam quantidade muito superior ao necessário de colchões, fogões e geladeiras. “Se colocar na ponta do lápis, cada casa vai ter três fogões e cinco geladeiras. Está errado. Precisamos de critério”, afirmou.
A orientação agora é que novas doações sejam canalizadas com planejamento, priorizando a conversão de recursos para a recuperação das empresas.

A ACIUBÁ anunciou a criação de um comitê gestor, com representantes dos setores atingidos, para estabelecer critérios na distribuição de recursos arrecadados via PIX e em futuras captações.
Entre as medidas já adotadas:
Articulação com o Sebrae para acesso a linhas de crédito com fundo garantidor de até 100%;
Apoio jurídico para empresários que perderam documentos;
Atendimento psicológico gratuito;
Encaminhamento de ofícios ao governador Romeu Zema e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitando medidas emergenciais.
Silber destacou que o Ministério Público também acompanha as ações, garantindo transparência e credibilidade na aplicação dos recursos.
A entrevista também abordou o impacto indireto sobre músicos, DJs, organizadores de eventos, maquiadores, fornecedores e bares. Segundo relato, mais de oito bares e restaurantes foram fortemente atingidos.
“Está tudo interligado. Se a loja fecha, o músico não toca, o fornecedor não vende, o trabalhador não recebe. É uma cadeia inteira comprometida”, disse Badaró.
Apesar do cenário crítico, os entrevistados reforçaram a mensagem de união e resiliência. Silber pediu paciência com o trânsito e empatia com os trabalhadores que atuam na limpeza e reorganização da cidade.
Elias fez um apelo direto à população:
“Quem acha que isso não o atinge, precisa refletir. Onde você compra? Quem é seu amigo, seu primo, seu pai? O comércio é a vida da cidade.”
A orientação é priorizar o consumo no comércio local neste momento, fortalecendo a economia interna.
Empresários que desejam orientação ou apresentar sugestões podem entrar em contato com a ACIUBÁ pelo WhatsApp: (32) 3531-5311.
A mensagem final foi clara: a tragédia deixou marcas profundas, mas pode se transformar em oportunidade de reconstrução planejada.
“Não temos lado. O lado agora é Ubá”, concluiu Silber.
Assista à entrevista na íntegra clicando no link abaixo:






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