Marina Botelho do RECRIAR, usa a Tribuna Livre e relata desafios das famílias atípicas em Ubá
Durante a reunião ordinária da Câmara Municipal de Ubá desta segunda-feira, 17 de novembro, a Tribuna Livre foi ocupada pela Diretora Presidente da Associação de Apoio e Inclusão ao Autista – RECRIAR, Marina Botelho, que apresentou aos vereadores a realidade enfrentada diariamente por centenas de famílias ubaenses que convivem com o autismo, TDAH e TOD. A fala ocorreu no dia em que o Legislativo analisou o Projeto de Lei nº 100/2025, que declara o RECRIAR como entidade de utilidade pública municipal.

“O Recriar nasceu de uma necessidade”
Em um discurso forte, emocionante e repleto de relatos reais, Marina explicou que o RECRIAR surgiu da urgência de mães e famílias que não encontravam apoio no município para lidar com as demandas do espectro autista e outras condições do neurodesenvolvimento.
Segundo ela, a associação – formada majoritariamente por familiares de autistas – existe há três anos e, até hoje, funciona graças a doações e parcerias voluntárias.
“O Recriar nasceu de uma necessidade, de famílias que não tinham apoio. Quando falamos de autismo, falamos de saúde, educação, assistência social. É uma realidade dura, que só quem vive sabe”, afirmou.

Mais de 520 crianças cadastradas e 143 famílias atendidas em apenas 22 dias
Durante a apresentação, Marina trouxe números que chamaram atenção dos vereadores:
- Mais de 520 crianças e adultos autistas já estão cadastrados no RECRIAR.
- 143 famílias foram atendidas apenas nos últimos 22 dias.
- A entidade realiza apoio com alimentação, roupa, medicação, orientação e intermediação para consultas e terapias — tudo sem qualquer repasse do Poder Público.
Ela relatou que muitos dos atendimentos acontecem em situações extremas, envolvendo famílias que precisam escolher entre comprar comida ou medicamentos.
“Não foi uma, nem duas vezes que levamos cesta básica porque ou a pessoa comia, ou comprava o remédio. Essa é a realidade.”

Falta de atendimento no município e impacto nas escolas
A diretora também alertou sobre a crescente demanda nas escolas, que já não conseguem absorver o aumento de alunos atípicos sem apoio especializado. Professores de apoio são insuficientes e a procura por terapias e neurologistas é cada vez maior.
Marina citou ainda o atraso e a dificuldade de conseguir consultas pelo município:
“Para conseguir uma consulta hoje, a criança quase vai para a faculdade esperando. Tem família há mais de ano aguardando retorno com neurologista.”

Projeto de natação ameaçado por falta de recursos
Visivelmente emocionada, Marina relatou a interrupção do projeto de natação terapêutica realizado na Praça de Esportes, que atendia cerca de 60 crianças e dependia de professores voluntários.
“Hoje estou com apenas um professor voluntário, porque não temos recursos para pagar. Se tira o professor, desregula a criança. E quando você desregula uma, desregula dez, desregula a casa inteira.”
Pedido de apoio ao Legislativo
Ao final, Marina fez um apelo direto aos vereadores para que o RECRIAR receba um olhar diferenciado:
“Hoje o RECRIAR será votado como utilidade pública, mas eu espero que sejamos uma utilidade pública de verdade. Peço um olhar diferente, porque as famílias estão no limite. Um pouquinho que fizermos fará diferença na vida dessas crianças.”
Ela agradeceu aos vereadores que a têm recebido e ajudado ao longo da luta e reforçou que continuará buscando apoios:
“Quando aperta, nós pedimos mesmo, nós abraçamos, e nunca me disseram não. Às vezes não é possível, eu entendo. Mas agora é a hora de virar a chavinha.”

Clima de comoção na Câmara
A fala de Marina Botelho emocionou vereadores e público presente. Ao final, muitos aplaudiram de pé o trabalho desenvolvido pela associação.
Logo em seguida, o Projeto de Lei nº 100/2025 seguiu para discussão e foi aprovado por unanimidade dos presentes, reconhecendo o RECRIAR como entidade de utilidade pública municipal, um passo importante para que a associação possa buscar novos recursos, convênios e políticas públicas que ampliem o atendimento às famílias atípicas de Ubá.
Para acompanhar a participação da Marina Botelho na íntegra, é só clicar no link abaixo:



















